Quem sou

Sou Carolina Wudich, costureira com muito amor pelo que faz há mais de 10 anos, mantendo pelo mesmo tempo uma loja virtual, que agora tornou-se este querido site e blog. Por muito tempo, costurei e vendi peças de roupas e acessórios em bazares, lojas e pela internet com a minha marca Amélie Franz. Até que em 2019 mergulhei pelo mundo da docência, mas desta vez, como instrutora do curso sócio-profissionalizante de Corte, Costura e Modelagem Sustentável, da renomada Fundação O Pão dos Pobres, de Porto Alegre (RS – Brasil). Minha formação é na licenciatura em Artes Visuais com especialização em Estudos Culturais na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e sim, já fui professora de artes de escola básica, antes de ser professora de costura 🙂 E atualmente, sempre procurando me especializar cada vez mais, estou cursando a especialização em Modelagem do Vestuário pela Universidade Feevale, de Novo Hamburgo. Já são muitos anos na costura tendo experiência na confecção desde pequenos acessórios como estojinhos a calças jeans e casacos de lã. Confira todo o meu trabalho que tenho o prazer de fazer na galeria do meu Instagram (@costurandomundo).

Abaixo, permita-me contar um pouco mais sobre a minha relação com a costura e a moda:

Minha vida sempre foi movida por arte e criação. Tive uma infância permeada pela paixão por desenhar e uma adolescência de criação e empreendedorismo, fazendo e vendendo bijuterias para minhas colegas e professoras, que logo depois, passei a costurar à mão e depois à máquina.

Na costura, ao contrário da maioria das histórias de costureiras, não tive ninguém da família que costurasse para me inspirar. Eu iniciei muito cedo na adolescência, pedindo à minha admirável mãe Cristina, que me ensinasse a costurar à mão, e felizmente ela soube me ensinar os primeiros passos, ou melhor, pontos.

Não me recordo a idade exata (talvez 14 anos?) que pedi de presente uma máquina de costura e aos poucos, fui aprendendo a manusear e costurar sozinha mesmo. Eu era muito curiosa, e fui persistente, pois toda hora o ponto estragava, e achava que a máquina estava desregulada. Hoje percebo que era eu que não sabia costurar e controlar a máquina e aquele ditado “é errando que se aprende” fez tanto sentido. Pois foi através dos erros e principalmente da paciência e persistência, que hoje eu mesma consigo, limpar, lubrificar e até mesmo consertar as minhas próprias máquinas!

Depois do aprendizado, comecei a costurar algumas coisas para mim, como bolsas, e naquele tempo não sabia nem da existência da modelagem. Foi por essa época que comecei a me interessar por moda, e criei um blog que se chamava “Oficina de Moda”. Por lá, divulgava notícias sobre moda e que arrisquei colocar algumas fotos de bolsas que estava fazendo. Foi então que começaram a vir os pedidos de vários lugares do Brasil.. que decidi criar uma bonequinha, dar o nome de Amélie Franz e fazer outro blog para divulgar as minhas criações.

Logo quando me formei no Ensino Médio, em 2007, não tive dúvidas em escolher a faculdade privada de Design de Moda, da qual após dois anos e meio, resolvi trancar e abandonar por várias questões, tanto financeiras, como por incompatibilidade da minha visão de moda. Eu não me enxergava naquele mundo glamouroso da moda. Não conseguia me identificar dentro daquele sistema de competitividade, egocentrismo, desigualdade social. Além disso, não cheguei nem mesmo a ter aulas de modelagem e costura, era só teoria, e aquilo me deixou bastante insatisfeita. Mas o bom da faculdade foi o estágio de moda que fiz na saudosa e querida loja Jumajô. Devo à Virginia, responsável por grandes ensinamentos e conselhos, dentre eles, de me questionar a tentar a universidade federal. Foi lá que aprendi sobre produção de uma marca e modelagem, com mais outras duas mulheres queridas, a Magali e a Milena Lenz.

Durante essa época de faculdade privada, já me desafiando na costura e vendendo pra vários lugares do Brasil, é que também resolvi aperfeiçoar as minhas técnicas em corte e costura na Eskola de Costura para Moda da prof. especialista Kátia Costa, que já trabalhou com Sandy Powell, ganhadora de vários prêmios em figurino, inclusive o Oscar. Kátia foi a minha primeira professora de costura, a mais querida e atenciosa e continua sendo uma das minhas grandes inspirações. Serei eternamente grata! ❤

Pois então, já em 2011, entrei na universidade federal no curso de licenciatura em artes, o qual me fez apaixonar pela educação, certa de que escolhi a profissão certa, sempre costurando com a Amélie Franz. Meu tema de conclusão de curso não podia ser outro: A linguagem da moda na arte e na educação. Realizei uma pesquisa buscando alinhavar reflexões da cultura visual e seus reflexos na escola. Ocorrendo em concomitância à observação e prática do meu Estágio Obrigatório Curricular, refleti acerca do papel da moda e da cultura visual dentro da escola e de como o sistema da moda se manifesta na conduta escolar, investigando os discursos que os jovens desenvolvem dentro deste ambiente, analisando as identidade e experiências dos alunos.

Depois de formada e já trabalhando como professora de artes, ainda com a Amélie Franz em paralelo mas bem apagada, resolvo me especializar em estudos culturais na educação e também realizo um trabalho de conclusão voltado pra área de moda, fazendo uma análise sobre a personagem Eleven, da série Stranger Things, relacionando aspectos do seu figurino (das roupas) com questões de gênero e identidade.

No período de 2017 a 2018 me encontro numa crise. Foi um momento em que me vi confusa, perdida, buscando um propósito. Questionava-me sobre minha profissão de professora de artes, se era isso mesmo que queria e sobre seguir ou não com a a minha pequena empresa. Curiosamente neste período, acabei sendo convidada para realizar oficinas sobre o meu trabalho, então ministrei oficinas de estamparia pra uma escola de Canoas, e outra na Fundação O Pão dos Pobres. Aqui agradeço imensamente o convite de mais duas mulheres maravilhosas: Maree Leonhart e Karen Castanho. ❤

No final de novembro de 2018 parti para uma viagem de 3 meses, carinhosamente chamada de “cosTouRístico”, na qual pesquisei lojas de tecidos, feiras por partes de Portugal e Alemanha. Pude visitar lugares e conhecer pessoas lindas e incríveis. Durante o trajeto, conheci o projeto Dress a Girl Around the World e tive a honra e grande experiência de costurar lindos vestidinhos para doação às meninas carentes. Também ajudei a criar e ministrar junto ao coletivo Las Piteadas, uma oficina de costura no Uprising Weekends, na Zona Franca em Lisboa. Lá reaproveitamos peças inutilizadas, paradas no guarda-roupa, criando lindas bolsas com estampas com temática feminista. Foi muito fixe, como dizem os portugueses!

Já em 2019, eis que surge a oportunidade que me tornou instrutora de Corte, Costura e Modelagem Sustentável, do Centro de Educação Profissional da Fundação O Pão dos Pobres, em Porto Alegre. Desde então, sou orgulhosa de realizar o trabalho que faço, instruindo jovens aprendizes de 14 a 24 anos em situação de vulnerabilidade social, ao ofício de cortar, modelar e costurar roupas e acessórios, com o foco na sustentabilidade. Ou seja, além de gerar uma renda para ajudar os aprendizes e sua família, ajuda na economia local, e eles saem do curso com uma visão de empreendedorismo e sustentabilidade, reaproveitando e transformando materiais e incentivando um consumo mais consciente.

Hoje, além de dar aulas no carinhoso Pão (assim que chamamos por lá), também ofereço aulas virtuais e particulares em meu ateliê, pra quem procura se aventurar ou se aperfeiçoar na costura. Aulas bem práticas, regadas a um bom café de filtro passado na hora e várias conversas. Eu simplesmente A-M-O o que faço. Também continuo aceitando pedidos de peças sob medida, principalmente àqueles que tenham lindas histórias por trás, afinal, percebeu que gosto muito de histórias, né?

Seja muito bem-vinda(o) por aqui. Sinta-se em casa.

Um fortíssimo abraço,

Carol.